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Amor&Sexo

Capítulo Um

- Sua vadia do caralho! Engole essa rola que eu vou te encher de porra!
Não pude conter minha careta enquanto encarava o vídeo que passava no notebook, posicionado na mesinha de centro, enquanto nós nos acomodávamos no sofá da sala do nosso apartamento.
Eu me sentia uma intrusa em meu próprio ninho. Estava com os joelhos encostados um no outro e sentada quase à beira do assento, sem conseguir relaxar. Não conseguia tirar o olho da tela, mas eu estava mais horrorizada do que qualquer outra coisa.
Estávamos assistindo ao vídeo por uma meia hora, me parecia. E, durante todo aquele tempo, a mulher estava chupando o pau do homem. Meia hora. E ele nem um carinho nos peitos dela tinha feito.
Bruno, ao meu lado, era o meu completo oposto. Ele estava esparramado no sofá com um sorriso convencido e acariciava sua ereção por cima da calça. Parecia muito contente consigo mesmo, e os dedos que ele passava em minha coluna me levavam a acreditar que esperava que estivéssemos indo seguir o mesmo caminho do vídeo.
Senti os lábios de Bruno se aproximando, mas a repulsa e o nervosismo provocado por aquele absurdo de vídeo me fizeram sacudir a mão no ar e afastá-lo enquanto eu caía de bunda no chão.
Ótimo, . Parabéns.
- Que foi, gata? - Bruno logo levantou as sobrancelhas para mim. - Meu vídeo não te excitou?
Não, Bruno. Nem um pouco.
- Ah, bom... Eu... - as palavras ficaram na minha garganta e eu acabei dando de ombros.
- Eu devia ter adivinhado.
O quê? Que você produz vídeos ruins e machistas? Devia sim.
Ele se levantou, fechou o notebook, me fazendo suspirar aliviada, e, então, rodeou o sofá, passando a mão pelos cabelos. Em quatro anos de namoro, eu o conhecia o suficiente para perceber que meu alívio iria durar muito pouco. Quando ele parou e balançou a cabeça negativamente, apenas engoli em seco.
- Como vou ficar com você, ? - inquiriu. - Como eu, um produtor de vídeos eróticos, posso namorar com a garota mais frígida da cidade?
Ei. Quem te ensinou essa palavra difícil?
- Frígida? - estava completamente embasbacada. Na minha cabeça, a pergunta continuou: produtor de vídeos eróticos? Ele, no máximo, montava o cenário. E isso nem era tão difícil.
- Frígida, sim - resmungou. - Ai, Bru, não vou engolir seu gozo não. Ai, Bru, por trás dói. Ai, Bru, cuidado pra não rasgar minha calcinha. Que saco, !
Tá. Eu podia mesmo ter dito todas essas coisas. Podia. Mas que saco dizia eu! Eu nem lembrava mais quando o produtor de filmes eróticos tinha me feito gozar pela última vez. Por que eu tinha que ajudar ele sempre?
- Ah, cala boca, Bruno!
Levantei-me em um pulo e, na raiva, acabei por chutar o sofá sem querer. Fiquei com mais raiva ainda.
- Quer saber de uma coisa, ?
- Não! – interrompi - Quer saber de uma coisa você, seu imbecil! - gritei, bufando pelas ventas. - Frígida? Frígida? Você não pode chamar uma mulher de frígida só porque você não consegue fazê-la sentir prazer, babaca. Isso é incompetência sua! Porque minhas mãos, amor, elas me levam mais longe que você!
Bruno estava estático, olhando para mim como se eu tivesse sido trocada por um alienígena enquanto ele piscara. Tomei uma lufada de ar e segurei meu forninho. Eram quatro anos de relacionamento sério que eu iria jogar para o ar, provavelmente de cabeça quente, mas não pensava que iria me arrepender.
- Chega. Estou indo pra minha tia. Quando eu conseguir um lugar pra ficar, venho pegar minhas coisas - anunciei.
Atravessei a sala, pegando minha bolsa e minhas chaves em cima da mesa da cozinha, onde eu as havia abandonado quando cheguei do trabalho. Acho que ele ainda estava tentando entender o que estava acontecendo quando eu encostei minha mão na maçaneta.
- Pegar suas coisas? - questionou, confuso.
Apenas virei meu rosto para ele, para encarar seu descrédito em minha decisão louca e completamente impulsiva.
- Acabou, Bru – expliquei, como quem fala com uma criança. - Você não entende o que é um clitóris e também não consegue identificar um pé na bunda? Estou terminando com você. E veja se aprende a fazer uma mulher gozar. Vai te ajudar com seus filmes e no seu próximo relacionamento.
E antes que ele pudesse dizer alguma coisa, lá estava eu, saindo desvairada do apartamento que dividíamos há quase dois anos, com a respiração alterada e o coração acelerado.
Meu deus. Eu terminei com o Bruno!


Cerca de duas semanas depois, minha tia me conseguiu um apartamento que ela tinha e costumava alugar para ter uma renda extra. Eu tentei lhe pagar por ele, alugá- lo, e ela apenas se recusou. Disse que era meu presente de formatura, uns quatro anos atrasado.
Acabei aceitando por ter pressa, não conseguia mais me sentir confortável na casa de minha tia e voltar para o meu antigo apartamento, com Bruno, era impossível.
Eu pretendia pagar por ele em parcelas gordas de qualquer forma – Não que fosse fazer à minha tia qualquer diferença. A mulher era bem rica.
E o que eu poderia dizer sobre aquele presente? Era perfeito. Próximo ao meu trabalho, bem localizado, um bom bocado maior do que o anterior e era todo meu.
Pena que ele estava coberto de caixas e mais caixas de mudança. E mais do que objetos, aquelas coisas traziam lembranças.
Meus amigos estavam, em sua maioria, sendo compreensivos. Adhara achava que eu era forte, que iria ficar tudo bem e que eu estava reagindo bem ao término. Mirzan achava que eu estava sendo mulherzinha: eu tinha terminado o relacionamento, então que eu parasse de choramingar. Victor achava que era a melhor coisa que eu já tinha feito na minha vida, e me oferecia companhia se eu quisesse encher a cara a qualquer momento.
Durante aquelas duas semanas, pessoas, amigos em comum com Bruno, tomaram coragem para me contar que ele me traía constantemente. Ao que parecia, enquanto eu achava que ele estava em gravações noturnas ou externas, ou qualquer coisa do gênero, ele estava comendo alguma atriz pornô que achava que ele poderia ser o caminho para o sucesso.
Bom, elas pelo menos deveriam fingir melhor que eu, não era?
A lembrança me embrulhou o estômago e, mexendo em uma das últimas caixas para organizar, encontrei um casaco de Bruno que acabou me levando lágrimas aos olhos.
Mirzan estava certa, eu estava sendo mulherzinha.
Sentei no sofá com o casaco em minhas mãos e não me contive: levei-o ao meu nariz e respirei fundo o perfume de Bruno, ainda entranhado no tecido.
Eu não podia dizer que nunca fui apaixonada por ele; tinha sido sim, completamente. Mas achava que o tempo tinha desgastado muito nosso relacionamento e não sabia dizer quando foi que aquilo morreu. Mas tinha morrido há um bom tempo, já.
Mesmo assim, nós estávamos nos aproximando do nosso aniversário de cinco anos. Era tempo demais para simplesmente superar e agir como se nada tivesse acontecido. Eu sentia falta, sim, das coisas boas. Das nossas conversas antes de dormir, quando eu chegava do trabalho. Da nossa paixão em comum pelo cinema e os filmes que assistíamos e debatíamos incansavelmente, mesmo que concordássemos em tudo. De como ele me abraçava antes de dormir.
Era o meu sonho, desde adolescente.
A lembrança de como eu reparara em Bruno pela primeira vez na escola me fez sorrir como uma boba. Demoramos a nos acertar em algo sério, mas nunca estivemos realmente longe um do outro desde então.
Meus olhos acabaram batendo no meu diário do colegial, que eu deixara em cima do braço do sofá para folhear e me divertir depois, e decidi que era um bom momento para fazê-lo agora.
Abri-o, derrubando uns papéis que estavam soltos e, no desespero de recuperá-los ainda no ar, cortei meu dedo no papel. Céus, como aquele corte pequenininho poderia doer tanto?
Enquanto o sacudia e levava meu dedo aos lábios, levantei-me do sofá para recolher os papéis do chão e o telefone tocou. Mudei minha trajetória imediatamente para o telefone, o coração acelerado pela lembrança de que eu ainda tinha que ser a anfitriã da openhouse do meu apartamento.
- Alô? - atendi.
"!" a voz de Victor era trovejosa e autoritária, como se tivesse me pego no flagra fazendo algo errado. Ele devia suspeitar que eu estava mais do que atrasada na missão de desempacotar. Não pude evitar girar meus olhos pela minha sala e ver se havia uma câmera por ali. "Já tá tudo pronto pra festa?"
Olhei para o tapete onde eu estava sentada há um segundo. Haviam cinco caixas espalhadas, cada uma em uma situação pior que a outra. Além disso, quatro delas estavam abertas e com coisas abandonadas ao redor. Entortei os lábios para o ambiente.
- Claro - menti.
Victor riu. O infeliz sabia que eu estava mentindo porque me conhecia como ninguém.
", meu amor," - sua fala ficou mais terna, da mesma forma que se fala com um animal encurralado. - "você tem duas horas antes de começar a chegar o pessoal."
Olhei para a janela e percebi que estava começando a escurecer. Droga. Eu não tinha visto as horas passando. Amaldiçoei Bruno e o tempo que eu gastei pensando nele.
- Tudo bem! - e, subitamente, eu estava elétrica. - Vou conseguir! Tenho um plano.
"Sei bem qual é o seu plano" riu. "Tranque a porta."
Sem questionar, nos despedimos e eu comecei a empurrar as caixas e a bagunça para dentro do cômodo que eu pretendia usar de escritório. Ao jogar meu diário e o casaco de Bruno lá dentro, as últimas coisas que encontrei espalhadas, tranquei a porta e coloquei minhas mãos em minha cintura, respirando fundo com o sentimento de dever cumprido.
Agora tudo o que eu tinha que fazer era tomar um banho e ficar muito gata para receber meus convidados para a minha festa.


A casa estava cheia. Os amigos mais próximos com quem mantive contato desde a faculdade e o pessoal do trabalho ocupavam minha sala e cozinha, conversando alto por cima do som ambiente. Eram pessoas de todo o tipo, desde jornalistas sérios, que escreviam sobre ciência e política em jornais renomados, até meus colegas da Brilho, a revista pra qual eu trabalhava, que eram todos glamorosos e bem cuidados, com línguas ferinas e olhares de águia. Nosso emprego exigia que fôssemos assim, sempre atentos a fofocas e vestimentas. Por mais incrível que parecesse, nossa revista tinha uma tiragem bem alta e, por estar sempre se reinventando, conquistava novos públicos a cada dia, enquanto as concorrentes sofriam a crise da mídia impressa. Isso nos orgulhava muito e nos fazia uma família.

Eu estava bastante cansada. Doida para encher a cara e esquecer o que me levou até ali, àquele apartamento, para início de conversa. Queria afogar minhas mágoas de todo um relacionamento na bebida e me divertir. Mas não conseguia desconectar, e estava sempre tentando agradar a todos, ser uma boa anfitriã, apesar da bagunça generalizada.
Estava presa em uma conversa bêbada com Victor, meu melhor amigo gay, que sempre soltava a franga em eventos como esse, e minha amada chefe Zara, que procurava um lugar para se sentar. Ela acabou se acomodando no meu sofá, mas algo pareceu chamar sua atenção, ao que ela debruçou-se para pegar algo próximo ao seu pé.
Parecia ser um papel dobrado, algo que deveria ter passado desapercebido na minha busca por esconder a bagunça mais cedo. Já estava me oferecendo para tirar de sua mão e guardar o que quer que fosse, quando ela abriu e leu o conteúdo, parecendo agradavelmente surpresa.
- Ai, meu deus, ! - exclamou, divertida. - Os "XIII Caras Que Eu Quero Pegar" - leu em voz alta, chamando a atenção de algumas pessoas ao redor, que já abriam por si só sorrisos zombeteiros. Tive vontade de me esconder.
Aquela lista devia ter o quê? Uns 15 anos? Por que eu não joguei aquilo fora?
- Você tinha uma lista? Sua safada! - Victor exclamou, e logo a festa toda explodiu em um burburinho animado me pedindo explicações e fazendo piadinhas. Fiquei corada instantaneamente.
- Obra da minha adolescência movida a hormônios. Eu não tenho culpa! - justifiquei, esperando que o assunto acabasse. Victor me olhou desconfiado e logo tinha a lista em mãos, passando os olhos claros pelos nomes ali contidos. Tentei tirar dele, mas meu amigo era alto demais e fez questão de colocar a folha onde eu não tivesse acesso.
- Gente! É o Bruno na décima terceira posição! - confidenciou a todos. Bem o que eu não queria, que lessem aquele nome em específico.
Mas era tarde demais. Logo todo mundo estava fazendo piadinhas sobre eu não ter me dado muito bem com aquele, que o número 13 dava azar, e que eu deveria tentar com números mais seguros. Mais adiante, próximos da cozinha, um grupinho da faculdade fazia um bolão sobre qual deveria ser o próximo alvo.
Escondi meu rosto nas mãos, rindo da minha própria desgraça. Agora, não via a hora da festa acabar ou de algum outro acontecimento bombástico tirar a atenção daquelas pessoas da ingenuidade da minha versão mais nova.
Felizmente para mim, parece que aquilo estava para acontecer.
- Você faz o que você quiser, Line. Não é sempre assim? - Uma voz grossa percorreu o ambiente, parecendo bastante irritada. Bastou um olhar para que eu identificasse ser , o então namorado da minha melhor amiga da época de faculdade. Ela tinha sua melhor cara de impaciência, a mesma que me deixava louca da vida quando eu estava doida para dar uns gritos e pôr pra fora o que quer que me irritasse.
Com uma classe ímpar, ela pegou sua bolsa no aparador e foi em direção à porta, alheia ao olhar investigativo dos meus convidados. Porém, antes de sair, parou do meu lado e me sussurrou que eles tinham acabado e que ela estava indo para casa. Eu acenei positivamente e perguntei se ela queria um taxi. Ela agradeceu e saiu, sendo seguida de perto pelo ex, embora fossem tomar rumos diferentes. Ela, para o elevador, e ele, para o apartamento da frente, uma vez que era meu vizinho.
Aquela parecia ser uma semana propícia para términos.


Cheguei ao trabalho apressada em meus saltos 15 centímetros. Eu estava 10 minutos atrasada, como sempre. No entanto, foi só pisar na redação que meu coração parou de bater forte no peito - por receio de receber uma bronca - e eu pude usufruir da educação que minha mãe me deu para pelo menos dar um "oi" aos conhecidos a caminho da minha mesa.
Perto dali, notei um quadro diferente em uma das mesas de jornalistas rotativos, aquelas que só eram ocupadas quando alguém vinha fazer uma matéria de fora, como freelancer, principalmente. O quadro era de cortiça repleto de fios de barbante coloridos, presos por taxas e ligando fotos, como o de um verdadeiro CSI. Ri, impressionada com a criatividade de um dos meus colegas, enfim sentando-me na cadeira de couro velho que me era destinada.
Havia um post-it colado na tela do meu computador, dizendo que eu devia encontrar Zara em sua sala dali a meia hora. Sabendo que não teria tempo o suficiente para começar a pensar no meu próximo texto, ainda mais considerando a ansiedade para saber o que ela queria, resolvi só checar as estatísticas de aprovação do último. Eu escrevia semanalmente para a revista Brilho uma coluna intitulada Amor & Sexo. Ela costumava ser uma das mais lidas, não só dentro da revista, mas entre os concorrentes também, e aquilo era uma realização e tanto para mim.
No entanto, ultimamente, meus números estavam caindo sem que eu soubesse identificar o motivo.
Preferi não compartilhar com ninguém meu receio quanto àquilo, sabendo que ainda assim era uma coluna famosa e eu não teria porque levar um puxão de orelha tão cedo, mas como a perfeccionista que eu era, ficava difícil não querer ir ao cerne do problema.
Por isso, eu estava, ultimamente, obsessiva em ler os comentários no site ou e-mails direcionados a mim. Ficava procurando entre pilhas de elogios ao meu modo de escrever e atitude desapegada até achar algum xingamento. Os das últimas semanas gritavam em caps lock que eu não devia amar ou transar há séculos, e que por isso deveria desistir de escrever algo com essa temática.
Tudo bem, eram bem ofensivos, mas faziam parte de um todo maior.
Dessa vez, consegui encontrar algo melhor: Uma crítica construtiva. A pessoa se identificava por um codinome complicado e cheio de números, mas me dizia que apesar de amar a coluna, acreditava que eu estava sem motivação para novos temas.
O que, em palavras infinitamente mais delicadas, era dizer o mesmo que os comentários negativos.
Bufando e extremamente irritada, segui para a sala da minha chefe, uma vez que já tinha dado o horário.
Ela estava sentada com toda a sua postura imponente na cadeira de respaldo alto, conversando baixo com seu subordinado direto, .
Deixem-me pegar um tempinho para falar de . Ele era alto, negro, de olhos claros, malhado, e o maior pedaço de mal caminho que já pisou na redação. Não havia uma única cabeça feminina que não virasse ao caminhar despreocupado dele pelos nossos corredores. Trabalhava como supervisor de metas da revista, e cumpria sua função extremamente bem, mantendo seus lindos olhos verdes em cima dos jornalistas mais visados para garantir a melhor performance possível. Era misterioso, ardiloso e de um charme invejável. Juro... Ele era bom demais pra ser verdade.
Por isso que era bastante embaraçoso quando eu precisava encontrá-lo assim, em reuniões casuais com a minha chefe. Meu sangue parecia migrar do cérebro e de repente eu não tinha mais a menor facilidade com as palavras, como era de se esperar de alguém que optou pelo jornalismo.
- Zara... Chamou? - Perguntei, tentando forçar meus olhos a permanecerem nos intrigados da minha chefe, e não nos pecaminosos do meu superior.
- Sim, querida. Sente-se, por favor. - Eu fiz o que ela pediu, ficando bem à sua frente. - , você tem visto o que as pessoas têm dito sobre sua coluna ultimamente?
- Eu tenho dado uma olhada, sim.
- Bom, então não é surpresa que eu esteja preocupada com você, estou certa? - Zara levantou as sobrancelhas, e parecia querer que eu chegasse a uma conclusão junto com ela. Aquilo nunca aconteceria com ali do lado, roubando grande parte da minha capacidade lógica.
- Preocupada? - Ecoei, esperando que ela me ajudasse a entender. Ela suspirou, como se tivesse entendido que seria um pouco mais complicado, e rodeou sua mesa, acabando por apoiar-se bem na minha frente.
- Sabe, eu fiquei com a sua festa na cabeça. Aquele papel dos garotos que você tinha interesse quando adolescente... E isso me deu uma ideia. Pareceu, na verdade, a motivação ideal que você precisa para voltar a bombar a sua coluna. - Compartilhou, os olhos brilhando, visando o sucesso. Fiquei um pouco incomodada só de lembrar de toda a saia justa que passei por causa daquela bendita lista, mas não cheguei a negar. Para falar a verdade, não tinha ainda compreendido como ela esperava que eu fizesse aquilo.
- Como um especial. - respondeu, quase como se lesse minha mente. - Um especial de 12 semanas.
- Exatamente. Você iria atrás dos outros 12 homens contidos ali, e escreveria a respeito dos reencontros na sua coluna semanalmente. - Zara completou, parecendo a cada segundo mais animada com a ideia.
- O prêmio maior seria o amor e o de consolação seria o sexo. Resumindo, tudo que a Amor&Sexo precisa.
Eu estava embasbacada. O que eu deveria pensar sobre aquela proposta? Era ofensiva, no mínimo. Mas, ao mesmo tempo, meu coração de jornalista estava acelerado ao reconhecer uma boa pauta.
Uma boa pauta que significava que eu teria que sair com 12 caras nos próximos três meses. E se eles agora estivessem carecas, nojentos e barrigudos? Daqueles que deixavam a unha do mindinho crescer para tirar meleca?
- Eu não sei, gente... Eu nem conheço mais aqueles caras, nós não nos falamos há mais de 10 anos. Eles nem devem mais lembrar de mim. - Tentei argumentar, para tirar aquela ideia da cabeça deles, para que me deixassem voltar para minha vida recém estabelecida e para a minha coluna confortável.
- Você não precisa nos dar uma resposta agora, querida. - Zara disse em seu tom sempre tão materno. - Mas pense com carinho, e tenha em mente que você receberia um bônus bem generoso por esse especial. - Um bônus... Hm. - Nós voltaremos a nos falar, . Por hora, está dispensada.
Saí da sala com a cabeça cheia, centenas de argumentos pesando os benefícios e os males de aceitar aquela proposta. Não precisei dar mais de três passos para ter certeza de que precisava de ajuda para decidir. Ajuda de meus amigos e, principalmente, ajuda de um bom copo da minha amada tequila.